MINHA TRAJETÓRIA

Sou psicóloga, terapeuta de família, com muitos anos de formação no Brasil, na Itália e experiência acadêmica e clínica.
Adoro estudar. Fiz graduação, mestrado, especialização em terapia de Família e um Doutorado. Já fiz um master em Psicologia do Esporte (!!) e muitos cursos breves.
Recentemente (2025) conclui uma Formação em Psicologia Intercultural – o que me ajudou a estruturar o trabalho que eu já vinha realizando.

Depois do mestrado ingressei para o corpo de professores do Programa de Formação de Empreendedores da PUC Rio, onde trabalhei até 2014.

E você deve estar se pensando, mas o que o Empreendedorismo tem a ver com a Terapia de Família?
Sou uma entusiasta do empreendedorismo como meio de inserção profissional e acredito que todos nós manifestamos as características empreendedoras na nossa vida, alguns mais do que outro, em alguns momentos mais do que em outros. A visão sistêmica da terapia de família me ajudou bastante a trabalhar com os grupos de alunos em sala de aula.
Pouco depois, descobri um campo de estudos enorme e bastante recente, pelo qual me apaixonei – o das empresas familiares.

Em 2007 me formei doutora em psicologia, especialista em empresas familiares e por mais de 10 anos me dediquei à produção e divulgação de informações úteis e relevantes para a saúde e continuidade das empresas familiares. Criei um site, apresentei vários trabalhos, fiz palestras para administradores, contadores, economistas psicólogos, terapeutas de famílias, alunos de graduação e seus pais.

Em 2010 ingressei no serviço público federal – além de psicóloga clínica, professora universitária, agora eu era também analista de Recursos Humanos do IBGE. Eu sempre gostei de transitar por todos esses lugares, experimentei novas carreiras, novos papeis, descobri habilidades, adquiri competências.

A lógica do “isso e aquilo”

Sempre fui uma pessoa indecisa, a cada escolha, inúmeras renúncias e em vez de pensar em isso ou aquilo, fui me desenvolvendo com a lógica do “isso e aquilo”.
A experiência de sala de aula me ajudou muito a fazer palestras – desde a escolha do tema, a definição do roteiro, elaboração dos slides e apresentação em si.

A experiência de pesquisadora me ajudou a orientar trabalhos de final de curso de alunos de graduação e pós-graduação e a preparar bons relatórios e documentos – completos, objetivos e sem ideias preconcebidas.
Já a experiência com as empresas familiares me ajudou no desenvolvimento de programas e atividades relacionadas ao processo de sucessão gerencial, à gestão do conhecimento e à convivência harmoniosa das diferentes gerações no ambiente de trabalho. Muitas das coisas que aprendi no universo das empresas familiares podem ser usadas no IBGE e em outras empresas.

Sempre fui curiosa e, ao longo da vida, não sei precisar quando, aprendi que existem tantas realidades quanto forem os sujeitos observadores; nossas ideias são fruto do nosso ponto de vista e das nossas experiências. Nossas certezas e nossas visões são as nossas principais armadilhas pois, elas nos impedem de ver perspectiva do outro. Já parou para pensar nisso? Com base na curiosidade e nessas ideias, passei a treinar a minha escuta ativa, a curiosidade genuína e a empatia.

Vida nova no velho continente

No final de 2017 sai do Rio de Janeiro, para uma aventura do outro lado do Oceano, mais especificamente na cidade de Padova (Pádua), na Itália. Me programei para um ano sabático, descobri o poder dos grupos e me descobri escritora!!

Não foi um percurso simples, precisei lidar com o desconhecido, com meus medos, sentimentos e emoções. Foi preciso senti-los, nominá-los, reconhecê-los e organizá-los. Paralelamente a isso, tentava entender o comportamento e os costumes de cada país e sua cultura, sem fazer comparações, sem deixar me influenciar pelas minhas ideias preconcebidas, pelas minhas preferencias e estranhamentos. Emoção e razão caminhando juntas.

Essa maneira de ver o mundo é de muita utilidade no processo de ajudar pessoas, famílias e empresas a passarem por seus processos de mudança.

Minha trajetória na Italia

Quando decidi vir para a Itália em 2017, achei que seria apenas uma aventura em família, uma temporada curta para viver algo diferente. Mas o que era para ser um ano sabático se transformou em um mergulho profundo: não só na cultura de outro país, mas também dentro de mim mesma.

No Brasil eu tinha uma vida cheia: trabalho, amigos, família grande, compromissos que lotavam a agenda. Aqui, de repente, tudo ficou silencioso. Meus filhos iam para a escola, meu marido viajava muito a trabalho e eu passava dias sem conversar com outros adultos. Foi nesse silêncio que percebi o peso da solidão. Não era só estar longe de casa, era sentir que eu já não sabia mais aonde pertencia.

A virada aconteceu quando encontrei uma rede de mulheres que viviam algo parecido. No grupo Mães Mundo Afora, descobri que o que eu sentia tinha nome: luto migratório. Ali, me percebi acolhida e, ao mesmo tempo, me descobri escritora. Escrever me ajudava a organizar sentimentos e, para minha surpresa, minhas palavras também acolhiam outras mulheres.

Foi assim que a escrita e o acolhimento se tornaram parte da minha história. Com o tempo, percebi que poderia juntar minha experiência de imigrante com minha formação como terapeuta de família. Passei a promover rodas de conversa, escrever reflexões e apoiar mulheres na adaptação ao novo país.

Hoje, meu propósito é esse: usar minhas palavras e experiências para falar de família, pertencimento e recomeços mundo afora. Porque a imigração pode até ser solitária, mas não precisa ser vivida sozinha.